DESTINO PARA EVENTOS - BELO HORIZONTE (MG) |
Novos e belos horizontes para eventos
A capital mineira atravessa uma nova fase de crescimento com o turismo de eventos fortalecido pela união do trade e importantes investimentos em infra-estrutura.
Texto: Paulo Cunha
Matéria publicada na Revista dos Eventos - Edição 39 - Julho de 2005
Na última vez que a revista EVENTOS esteve em Belo Horizonte (Edição 25 - Maio de 2003), o cenário era bem diferente. O aeroporto de maior movimento da cidade ainda era o da Pampulha, o ExpoMinas possuía apenas uma pavilhão de exposições com 10 mil m², o governo do Estado de Minas Gerais e a prefeitura de Belo Horizonte começavam a anunciar seus projetos de governo e futuros investimentos que beneficiariam o turismo na cidade. Nesse tempo, o trade de turismo e eventos da cidade também se articulava para buscar mais força e união em suas ações.
Foto: Paulo Cunha/Outra Visão
Pouco mais de dois anos depois desembarco no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, na cidade de Confins, localizada na região metropolitana de Belo Horizonte. A enorme estrutura do aeroporto, que durante mais de 20 anos recebia raríssimos vôos, mudou literalmente logo no início de 2005, quando mais de 90% dos vôos domésticos – 130 vôos - que operavam na Pampulha foram desviados para Confins. De um dia para o outro, a referencia de quem embarcava ou desembarcava em Belo Horizonte e esperava aquela confusão e aperto no aeroporto da Pampulha, encontra hoje uma infra-estrutura bem mais ampla e confortável em Confins. Muitas opiniões sobre a mudança mexeram com a cidade, mas é inegável que, apesar da distância do aeroporto ao centro, Belo Horizonte finalmente entra no circuito das grandes capitais brasileiras com infra-estrutura aeroportuária de qualidade, ampliando significativamente as opções e horários de vôos para os passageiros.
Linha Verde facilita ligação BH/Confins - Se a mudança do aeroporto já é realidade, as obras de duplicação da estrada que liga o aeroporto de Confins a Belo Horizonte ainda não estão concluídas, contudo, já foram iniciadas. Chamada de Linha Verde, o projeto está orçado em R$ 270 milhões e prevê a criação de novas pistas de rolamento na Avenida dos Andradas, sobre o rio Arrudas, diversas intervenções na Avenida Cristiano Machado, principal avenida de acesso do aeroporto ao centro de Belo Horizonte, e a duplicação da rodovia MG-10, criando uma via expressa do centro da capital ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, o que ajudará a reduzir pela metade o tempo de trajeto.
O projeto, que está previsto para ser totalmente concluído em setembro de 2006, tem a verba para realização obtida através do Tesouro do Estado e da Companhia de Desenvolvimento do Estado (Codemig). Para as intervenções na capital, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, assinaram acordo, pelo qual o Estado ficará responsável pela execução das obras. Ao todo serão 58,4 km de vias, que começam com um boulevard sobre o Arrudas, na região central de Belo Horizonte, passando pela Avenida Cristiano Machado e seguindo pela rodovia MG-010. Só na Cristiano Machado serão construídos 12 viadutos e uma trincheira.
Ampliação da infra-estrutura de espaços para eventos - Se as palavras de ordem hoje em Minas Gerais são ajustes nas contas públicas e, obras, muitas obras, a cidade de Belo Horizonte atravessa um momento de grandes e boas transformações. No que se refere a infra-estrutura para eventos, durante muito tempo a capital mineira sentia a falta de um grande e moderno centro de para realização de feiras e convenções, além de um novo e grande auditório que permitisse a realização de congressos nacionais e internacionais. Quando em 2003 o governador Aécio Neves autorizou a conclusão das obras do Expominas, o trade local teve o que comemorar e, hoje, com as obras em fase final, já começa a sentir os reflexos das novas oportunidades que nascem com os investimentos feitos nos últimos dois anos. Através da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) foram investidos aproximadamente R$ 75 milhões nas obras do ExpoMinas, que ao final das obras, terá 47 mil m² de área para eventos e mais de 20 mil m² para exposições, incluindo os três pavilhões, um auditório com dois mil lugares, além de novas áreas de estacionamento e dezenas de melhorias técnicas.
Foto: Paulo Cunha/Outra Visão
Mesmo considerando este importante investimento e “up grade” em área de exposições, a lista de espaços para eventos em Belo Horizonte é grande e variada. Já são mais de 60, entre centros públicos e privados, dentro e fora de hotéis. Entre os mais tradicionais estão o Minascentro, Serraria Souza Pinto, Casa do Conde, Casa do Baile, Expominas, Palácio das Artes e o Sesc Venda Nova. Em hotéis, destacam-se a área de eventos do Mercure, as inúmeras salas do Othon Palace, os auditórios do Grandarrell, a qualidade e infra-estrutura do Ouro Minas, o Caesar Business, Liberty e San Diego. Já, entre os centros de convenções mais novos estão, o Chevrolet Hall (antigo Marista Hall), Luminis, Séculus, Niágara, Centro de Convenções LifeCenter e o Campus Aloysio Faria da Fundação Dom Cabral.
Com 82% de sua atividade econômica baseada no setor de serviços, e reconhecidamente um pólo econômico que não depende apenas de grandes indústrias, os setores terciários, como o turismo e eventos, se destacam no cenário da economia local. Como uma cidade que preserva e promove a cultura, a capital mineira já é destino tradicional de eventos importantes como o FIT-BH (Festival Internacional de Teatro), Encontro Internacional de Literatura, Festival de Teatro de Bonecos, FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), FID (Fórum Internacional de Dança) e Festival do Circo. Outros eventos, feiras e congressos, também se destacam no seu calendário, entre os quais o Expo Cachaça, Boa Mesa BH, Casa Cor BH, Gestão do Futuro, MultiMinas, Mec Minas, Belô Sabor, Comida di Buteco, Circuito BH de Moda, Super Minas, Mostra Têxtil Brasil, Feira dos Imigrantes, entre outros.
Reunião Anual do BID em 2006 - Na onda de boas notícias que envolvem o turismo de eventos em Belo Horizonte, sem dúvida, umas das melhores é o fato da capital mineira receber em abril de 2006 a 47ª Reunião Anual da Assembléia de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e 21ª Reunião da Corporação Interamericana de Investimentos. O evento, que acontecerá entre os dias 3 e 5 de abril do próximo ano, deverá levar para a cidade cerca de cinco mil pessoas, entre elas ministros de economia, presidentes de Banco Central dos 47 países associados ao banco, mais de 500 jornalistas e executivos financeiros de todo o mundo.
Foto: Paulo Cunha/Outra Visão
Em maio deste ano uma equipe técnica do BID já esteve na cidade para conhecer a infra-estrutura local e os espaços que abrigarão o evento. Em junho, foi a vez da equipe brasileira, composta por representantes dos governos federal, estadual e municipal, levar a Washington (EUA), sede do banco, uma proposta de projeto para a montagem das reuniões. Já no final de agosto, a cidade recebeu a segunda missão oficial dos 14 representantes do BID, que participaram de mais de 20 reuniões de trabalho para iniciar os preparativos para realização do evento, um dos mais importantes do sistema financeiro internacional. Entre a movimentada agenda de atividades, a delegação do BID, chefiada pela secretária-geral, Gabriela Sotela, visitou o Palácio das Artes, onde será realizada a abertura oficial do evento e o Expominas, quando foi avaliado o andamento das obras de ampliação do Centro de Exposições.
Ficou definido também, que toda a coordenação executiva do encontro ficará com o Governo de Minas Gerais, com o subsecretário de Assuntos Internacionais, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Luiz Antônio Athayde, assumindo a função de coordenador. Na avaliação de Athayde, “a reunião do BID em Belo Horizonte vai inserir Minas Gerais na rota dos grandes eventos internacionais, trazendo impactos positivos para todo setor de serviços da cidade”.
O Brasil já sediou outras edições da Reunião Anual da Assembléia de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em março de 2002, a cidade de Fortaleza recebeu a 43ª edição da Reunião, cujo sucesso na realização do evento certificou a capital cearense a entrar na lista das cidades para sediar eventos de grande porte e desta importância como do BID. Em 2006 é Belo Horizonte que tem esta oportunidade.
Foto: Paulo Cunha/Outra Visão
Casa do Turismo reúne trade mineiro - Um fato importante para o fortalecimento do turismo em Minas Gerais foi a inauguração da Casa do Turismo, onde desde abril está localizada a sede oficial do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau (BHC&VB), da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-MG) e da Federação de Conventions&Visitors Bureaux-MG. A “Casa do Turismo” ocupa todo um andar de um prédio muito bem localizado em Belo Horizonte, próximo a Praça da Liberdade. A viabilidade para funcionamento do novo espaço foram concretizadas pelo atual vice-prefeito de Belo Horizonte, Ronaldo Vasconcellos, que apoiou a idéia e foi o autor, como deputado federal em Brasília, da emenda que permitiu o empreendimento. O ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, também apoiou a decisão e ajudou na liberação de novos recursos para o investimento da ordem de R$ 600 mil.
“Criamos uma base física para um projeto maior de atuação crescente e conjunta. Além do BHC&VB, ABIH-MG e FC&VB-MG, outros órgãos do setor turístico de Belo Horizonte, como a Belotur, Sindiprom, Abrassel são importantes parceiros nessa nova fase na Casa do Turismo”, explica Paulo Boechat, presidente do conselho curador do BHC&VC e da FC&VB-MG, entidade que faz parte da Confederação Brasileira dos Convention & Visitors Bureau, que reúne todas as federações brasileiras de Convention & Visitors Bureaux dos estados como objetivo de atuar em bloco no fomento e na defesa do desenvolvimento do turismo brasileiro em todas as regiões.
Foto: Paulo Cunha/Outra Visão
Vencedores do Prêmio Caio se apresentaram em BH - O Seminário EVENTOS Prêmio Caio desembarcou em Belo Horizonte na primeira semana de setembro (dia 6) e reuniu no MinasCentro profissionais do setor e estudantes mineiros para apresentar os cases vencedores da edição 2004 do Prêmio Caio.
O seminário foi aberto pelo do editor a revista EVENTOS, Sergio Junqueira Arantes, que falou sobre a importância dos eventos como ferramenta do marketing promocional e fator indutor do turismo, mostrando em primeira mão uma pesquisa realizada pela AV Promoción, da Argentina, sobre O Incentivo na América do Sul. Em seguida, a diretora executiva da Confederação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux, Claudia Maldonado, apresentou o case de Brasília – Destino para Eventos, que defendeu quando era diretora da entidade da Capital Federal, mostrando o excelente trabalho de Comunicação Visual que lhe valeu na oportunidade mais um Jacaré, além dos conquistados como Destino. Para falar sobre Investimento Hoteleiro, esteve no seminário Claudia Bieler, da rede Bourbon Hotel & Resorts.
Após um movimentado coffee break, Arthur Repsold, diretor Fagga Eventos, falou sobre eventos promocionais com o tema “O Esporte como Ferramenta de Marketing”, e exemplificou com o case: “Ação Coca-cola Revezamento da Tocha Olímpica”, evento realizado no ano passado. Antes do encerramento das atividades da parte da manhã, José Renato Manttovanni, da Degrau Eventos, de Londrina, Paraná, falou da importância da hospitalidade como diferencial baseado nos cases do Congresso Internacional de Soja e Royal In Concert.
Para as palestras na parte da tarde, estiveram presentes Ricardo Emidio, da Quality Eventos, falando sobre “Equipamentos como Solução de Produção”, com o case 20th Scientific Meeting of the International of Hipertension e Renata Carvalho, da G-i Viagens e Eventos, vencedora do Prêmio Caio 2004, na categoria Viagens de Incentivo, com o tema “A Curiosidade como Fator de Atração”, quando apresentou o case Sob o Céu do Saara.
No encerramento do Seminário EVENTOS Prêmio Caio em Belo Horizonte, Alfredo Fróes, da União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe), fez um profunda análise sobre os impactos econômicos das feiras brasileiras.
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