Outra visão

 

 

 

GASTRONOMIA - HISTÓRIA DO LEITE CONDENSADO

 

 

Leite que conquistou o Brasil


A história do leite condensado começa nos Estados Unidos, passa pela Europa,

mas é o Brasil que, já no século XX, o adota como ingrediente

imprescindível na preparação de diversas receitas de doces nacionais.

 

Texto: Paulo Cunha

 

Matéria publicada na Revista Onde Comer - Maio/2005


A casa já está em ritmo de festa. Enquanto os primeiros convidados não chegam, na cozinha o clima é de descontração, enquanto os últimos doces são preparados. Na mesa, caprichosamente decorada, estão dezenas de doces típicos brasileiros, como brigadeiros, beijinhos, pudim de leite, rocambole, cajuzinhos entre outros. Naquela mesa repleta de delícias, um ingrediente indispensável está na receita de todos, o leite condensado.

Vacas a bordo

A história do leite condensado vem de uma feliz idéia do norte-americano Gail Borden, quando em 1852 viajava de navio. Naquela época, durante as longas viagens transatlânticas era necessário embarcar vacas para que os passageiros pudessem ter leite fresco a bordo. Contudo, numa viagem de Borden, a vaca do navio adoeceu e não podia mais fornecer leite. Depois de assistir a uma triste história de uma criança perder a vida sem ter leite a bordo, o inquieto Borden estudou uma solução que, de alguma forma, pudesse conservar o leite por mais tempo. Entre uma experiência e outra, Borden acrescentou açúcar ao leite e o desidratou, que dependendo do estado dessa operação podia se obter tanto o leite condensado quando o leite em pó. Estava criado tanto o leite em pó como o leite condensado.

Logo no início a "invenção" de Borden não foi muito bem aceita pelo paladar dos americanos. Muitos rejeitavam o produto alegando que o leite não era fresco e muito doce, e logo nos primeiros anos Borden amargou alguns prejuízos com seu novo negócio. Porém, menos de 10 anos depois, já em 1861, o leite condensado de Borden, rejeitado por uma grande maioria, alimentou muitos combatentes norte-americanos durante a Guerra da Sucessão (1861-1865). O leite que era consumido pelos soldados tinha que ser levado em carroças, o que representava um grande problema, pois estragava rapidamente e, durante o período de guerra, o fornecimento de leite era escasso. Para resolver esses dois graves problemas, definitivamente, entrou em cena as duas invenções de Borden, o leite em pó e o condensado, que além de poder ser conservado por muito mais tempo, era bem mais fácil e simples de ser transportado, alimentava os combatentes, e como um produto que contém bastante açúcar, também era energético.

Na Europa a caminho do mundo

Com o sucesso do leite condensado durante a Guerra da Sucessão, Borden juntou-se a um próspero comerciante, Jeremiah Milbank e, então, fundaram a New York Condensed Milk Company, que pouco tempo depois foi rebatizada de Borden Incoporation. O produto, que já estava bastante conhecido nos Estados Unidos, desembarcou na Europa em 1866, quando os dois comerciantes, Borden e Milbank, fundaram a Anglo-Swiss Condensed Milk Company, na cidade de Cham, na Suíça, país com abundância de leite de excelente qualidade.

Rapidamente o produto fez sucesso na Europa, principalmente entre as mulheres, que reforçavam a alimentação de seus filhos dando-lhes o energético e açucarado, o leite condensado. Contudo, pouquíssimo tempo depois a Anglo-Swiss teve seu primeiro forte concorrente, a farinha láctea, produzida por Henri Nestlé, que também tinha toda sua produção na Suíça, na cidade de Vevey. O leite condensado tinha na farinha Láctea - enriquecida com cereais e excelente complemento alimentar para criança – o seu maior concorrente. Durante um longo período de acirrada concorrência, a Anglo-Swiss também passou a produzir a farinha láctea e, a Nestlé, o leite condensado.

Chegado o início do século XX, as duas empresas suíças produziam os mesmos produtos, até em 1905, Borden e Milbank juntaram-se a Henri Nestlé e formaram a Nestlé & Anglo-Swiss Condensed Milk Company. A partir dessa fusão entre as empresas – fato comum atualmente, mas pioneiro para o início do século XX -, nascia a gigantesca indústria alimentícia, Nestlé, que conhecemos hoje e, tanto o leite condensado como a farinha láctea, passaram a ser produzidos e comercializados por uma só companhia.

Finalmente chega ao Brasil

Sabe-se que os primeiros carregamentos de leite condensado chegaram ao Brasil ainda no final do século XIX. Importado diretamente da Suíça, inicialmente o leite condensado era usado apenas como bebida (reconstituído com água), e sua grande vantagem era de que podia ser armazenado por um longo tempo, característica fundamental em períodos de escassez de leite.

Tempos depois, após campanhas de reposicionamento do produto, o leite condensado chegou à cozinha, como ingrediente para o preparo de doces. O alimento ganhou então uma força extraordinária entre as donas-de-casa e se transformou em presença indispensável na preparação de diversas receitas tipicamente brasileiras. Em 1921, com a construção da primeira fábrica da Nestlé no Brasil, na cidade de Araras, no interior paulista, a empresa começou a produzir no Brasil o leite condensado, mais tarde conhecido como Leite Moça.

O sucesso do produto foi tão grande, como é até hoje, que em pouco tempo o Brasil passou a ser o maior mercado consumidor do Leite Moça em todo mundo. Entretanto, não é apenas a Nestlé, com 60% de participação no mercado, que produz e comercializa leite condensado no Brasil. Outras duas grandes empresas, Mococa e Glória, também produzem, cada uma com 25% e 15% de participação de vendas neste mercado respectivamente.

La Laitière – A Leiteira

A jovem de trajes típicos que aparece no rótulo da embalagem do Leite Moça é uma camponesa do século XIX. Naquela época, o leite condensado mais popular da Suíça tinha a marca "La Laitière", que significa "vendedora de leite".

Quando o leite condensado da Nestlé começou a ser exportado para outros países, procurou-se um nome equivalente na língua de cada região, sempre associado à figura da camponesa típica, com seus baldes de leite. Em espanhol, por exemplo, foi adotada a marca "La Lechera". No Brasil, quando o produto começou a ser importado em 1890, adotou-se inicialmente, o nome “Milkmaid”, por falta de um equivalente adequado em português para adaptação de "La Laitière". Contudo, as pessoas tinham dificuldade para pronunciar esse nome e passaram a chamar o produto de "esse leite da moça", referindo-se à ilustração da camponesa. A tradicional marca Leite Moça surgiu na década de 30, alguns anos depois do início da produção de leite condensado no País que data de 1921. A Nestlé optou pela solução lógica e passou a utilizar uma designação criada espontaneamente pelos consumidores, Leite Moça.

Leite Moça: nova embalagem com curvas sinuosas

O Leite Moça, produto mais vendido pela Nestlé Brasil e fabricado no País há 83 anos, está de cara nova desde o ano passado. Para aumentar a identidade entre marca e consumidor, a empresa desenvolveu um novo design de embalagem para o produto. A nova latinha de Moça, que chegou aos pontos de venda de todo o Brasil em setembro de 2004, ganhou uma sinuosidade única que se associará aos já conhecidos valores da marca: confiança, qualidade, tradição e intimidade com o consumidor.

O sabor de sempre em nova forma. Esta é a idéia da Nestlé, que atribui à mudança da embalagem uma evolução natural da marca e uma preocupação em manter seus consumidores sempre satisfeitos, ampliando sua percepção de valor para com o produto. Toda a equipe de Leite Moça - desenvolvimento de embalagem, fábrica, engenharia, marketing, pesquisa e fornecedores - participou do processo de reformulação da latinha, seja na criação, desenvolvimento ou viabilização do projeto, que levou cerca de dois anos para ser concluído.

Para que o projeto saísse do papel e se concretizasse como uma das mais importantes e significativas reformulações da marca no Brasil, em termos de investimento, a Nestlé contou com a parceria da CSN - Companhia Siderúrgica Nacional. A empresa colaborou com seu know-how em relação maquinários, matérias-primas e desenvolvimentos de projetos especiais, ajudando na reestruturação e adequação da unidade fabril de Montes Claros, MG, onde o produto é fabricado.


O lançamento, exclusivo para o mercado brasileiro, não sofreu alteração de preço ou gramatura - 395 gramas. Hoje, a marca responde por 44% de share do mercado de leites condensados, de acordo com pesquisas de mercado da AC Nielsen. E segundo estatísticas da própria Nestlé, são consumidas no Brasil cerca de oito latas de Leite Moça por segundo. Para celebrar a nova embalagem, a primeira série de latas produzidas teve o selo de 1ª edição e um poema de amor dedicado aos consumidores da marca. A partir de agora, em vez do rótulo, a nova embalagem também traz toda a sua comunicação litografada (impressa) na lata - inclusive as tradicionais receitas.


Desde o lançamento da nova embalagem, a Nestlé também passou a oferecer um novo serviço para os consumidores do Leite Moça. Trata-se do serviço chamado “Fale com a Moça”, que funciona tanto via telefone quanto por e-mail, com objetivo de oferecer um completo e dinâmico serviço de consultoria culinária, com envio de receitas gratuitamente e soluções de culinaristas e especialistas. Informações: www.nestle.com.br/falecomamoca

RECEITAS - FAZENDO EM CASA

LEITE CONDENSADO CASEIRO

INGREDIENTES
1 litro de leite integral
1 colher (café) de maizena
1 ½ colher (chá) de açúcar
1 colher (café) de fermento em pó

MODO DE FAZER
Misture todos os ingredientes numa panela de fundo grosso e leve ao fogo brando, mexendo sem parar;
Cozinhe até obter uma textura cremosa
Retire do fogo e deixe esfriar

DELÍCIA DE CÔCO
por Adílson José da Silva
Restaurante Miró

INGREDIENTES
1 lata de leite condensado
½ litro de creme de leite fresco
200 grs de côco ralado em lascas
4 gemas
2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de baunilha

MODO DE FAZER
Ferva o creme de leite com a baunilha e reserve.
Bata bem as gemas com o leite condensado, a parte, misturando em seguida aos outros ingredientes e finalmente ao creme de leite já morno.
Assar em banho-maria, forma caramelizada, durante 30 minutos.
Decorar com crocante de nozes ou amêndoas

RESTAURANTE MIRÓ
Al Ministro Rocha Azevedo, 539 – Jardins -Tel: 3068-9541

 

 

 

 

 

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