Manhã do dia 8 de agosto de 2001, pleno verão mexicano. Setenta e seis atletas, divididos em 19 equipes de quatros pessoas, tomam fôlego e preparam os últimos detalhes de seus equipamento para a largada oficial do III Campeonato Mexicano de Esportes Extremos - Reto Riviera Maya, a competição multidisciplinar de esportes de aventura extrema mais importante do México e uma das cinco mais difíceis do mundo. Durante quatro dias, as 19 equipes, representando nove países (Guatemala, Estados Unidos, Espanha, Finlândia, Argentina, Canadá, México, Costa Rica e El Salvador), conheceram as belezas do caribe mexicano suando muito para percorrer de norte a sul mais de 250 km da mística região da Riviera Maya (Estado de Quintana Roo, sudeste do México), realizando provas de caiaque no mar, trekking, natação, vela, rapel, mountain bike, caiaque no rio e mergulho.
Foto: Paulo Cunha/Outra Visão

O calor escaldante do verão mexicano, as fortes chuvas típicas desta época do ano e as diferentes atividades esportivas, somados às dificuldades de navegação por mapa e bússola na selva e no mar, além dos longos trajetos que deveriam ser percorridos diariamente, completavam o cenário ideal para uma competição de esportes extremos que, sem dúvida, atingiu seu principal objetivo e exigiu de cada um dos atletas o máximo, o extremo, tanto na parte física e técnica, quanto na psicológica. Sol, calor, lama, chuva, mar agitado, longas caminhadas, perigos da selva, pedaladas incansáveis, corrida e muita, mas muita força de vontade e trabalho em equipe é apenas um pouco do que esses bravos homens e mulheres, com o espírito de aventura correndo no sangue, enfrentaram durante quatro dias.
FOI DADA A LARGADA!!!!
Acompanhe abaixo o resumo do que aconteceu no III Campeonato Mexicano de Esportes Extremos – Reto Riviera Maia.
1º dia (Circuito de 50km) – Na manhã do dia 8 de agosto, os competidores partiram do acampamento La Unión, localizado num pequeno povoado com o mesmo nome no extremo sul do Estado de Quintana Roo, exatamente na fronteira entre México e Belize. Formada predominamente por uma selva fechada, esta região foi o cenário dos dois primeiros dias de competição.
A largada oficial foi às 7hs da manhã em frente ao acampamento. Os competidores correram cerca de 300 metros até a margem de um rio, onde tiveram que encher seus botes (2 para cada equipe) e partiram remando 20km pelo rio (Classe I), até chegarem ao Posto de Controle (PC) e iniciar um trekking de 4km na selva, carregando os botes vazios até chegar ao PC seguinte. Depois, tiveram que se orientar com bússolas e caminhar vários quilômetros atravessando pântanos, o Cenote do Crocodilo e uma selva muita fechada até alcançarem um paredão de 75 metros, onde fizeram uma descida de rapel. Completada a atividade do rapel, os atletas correram mais 3km, numa estrada cheia de lama, até finalmente chegarem ao acampamento La Unión.
Caso alguma das equipes não chegasse até determinado Posto de Controle, num limite máximo de horário, independente de onde estivesse, a equipe era levada para a meta final do dia e penalizada.
NOTAS DO REPÓRTER – 1º DIA - As chuvas torrenciais durante a tarde dificultaram a vida de todas as equipes. O terreno enxarcado, a mata fechada e os desafios que tiveram que enfrentar neste primeiro dia provaram que todas as equipes que competiam eram extremamente profissionais, não havendo obstáculos que não pudessem enfrentar. Para a imprensa, o primeiro dia também foi um excelente teste, pois tiveram que enfrentar mais de 20km de caminhadas na lama e no meio da selva, com chuva, tendo que proteger equipamentos, filmes, lentes e tudo mais. A surpresa do dia ficou reservada para a malas que ficaram completamente molhadas por causa das chuvas. Este repórter viu e viveu isso na pele encontrando no final de um dia, após 12hs de caminhada, sua barraca com o piso cheio de água e todas meias, calças, bermudas, cuecas e camisetas completamente enxarcadas. Só escapou o passaporte e a passagem aéra. O resto molhou tudo! A solução para isso? Torcer a roupa para o dia seguinte, respirar fundo, esquecer este detalhe da mala e procurar descansar para estar pronto para novas aventuras do segundo dia.
2º dia (Circuito de 90km) – A largarda do segundo dia foi dada pontualmente às 7hs da manhã, no acampamento La Unión, de onde os atletas partiram de bicicleta. Neste dia, 70% da rota da competição foi realizada de bicicleta, que aparentemente é mais fácil, porém, segundo os atletas, foi um dos piores dias.
As intensas chuvas de verão transformaram todas as estradas e trilhas da selva num verdadeiro mar de lama, onde era praticamente impossível pedalar. Em determinados e longos trechos no meio da selva, a única solução era carregar a bicicleta no ombro. O cansaso e o esforço destas etapas estavam estampandos nos rostos de muitos competidores, que mesmo assim achavam forças e disposição para enfretar mais desafios.
Completada esta etapa, as equipes tiveram que desmontar e encaixotar as bicicletas para então partir para mais uma longa caminhada pela selva, até o retorno ao acampamento La Unión. Depois de dois dias no meio da selva, todos prepararam suas malas (enxarcadas!!!) e equipamentos para partir para o acampamento 2, em Tulum.
NOTAS DO REPÓRTER – 2º DIA - Na noite do 2º para o 3º dia, todos os atletas, organizadores (staff) e imprensa (mais de 300 pessoas) viajaram seis horas de carro para o norte da Riviera Maya, até chegarem a Tulum, palco dos dois últimos dias de competição. Tulum é uma cidade conhecida por turistas do mundo inteiro, por possuir um dos mais belos sítios arqueológico do Império Maya na beira do mar do Caribe. Após a longa viagem, desde o acampamento La Unión até Tulum, a paisagem mudou completamente e, com certeza, a motivação de todos também mudou. O cenário era muito diferente da selva fechada no sul do Estado de Quintana Roo. Agora, quem abençoava os atletas, organizadores e imprensa era o imenso e maravilhoso mar do Caribe, com suas águas azuis turquesa e uma brisa refrescante que ajudava a suportar o calor de quase 40º C e a secar as roupas! No entanto, se para os organizadores e imprensa a mudança de acampamento trouxe novos ares, uma noite de sono bem dormida e roupa seca para o dia seguinte, para os competidores essa mudança significou novos desafios, porque, agora, teriam que enfrentar o mar aberto, o calor mais intenso e provas tão difíceis quanto as que já tinham realizado na selva.
3º dia (Circuito de 80km) – O penúltimo dia de competição começou às 8hs da manhã, uma hora mais tarde do que os dois primeiros dias. As atividades começaram com um trekking ao longo da zona arqueológica de Tulum, até chegar numa lagoa onde os atletas pegaram seus caiaques (2 por equipe) e remaram 10km seguindo um caminho até encontrarem o mar aberto, onde tiveram que remar mais 5km, enfrentando ventos fortes e o mar agitado no mar do Caribe.
Foto: Paulo Cunha/Outra Visão

Encerrada a atividade do caiaque, as equipes enfrentaram outra prova difícil: pedalar 32km por uma estrada de terra sob um sol de 40º C. As bicicletas, que no dia anterior foram desmontadas e encaixotadas, agora, deveriam ser desencaixotas e remontadas para prosseguir. Nesta etapa da competição, algumas equipes tiveram problemas porque, na correria em desmontar as bicicletas no dia anterior, perderam algumas peças importantes das bicicletas e tiveram que improvissar.
Depois da longa pedalada em baixo de um sol forte, as equipes estacionaram suas bicicletas e seguiram correndo mais 4km pela areia, até chegarem na meta final do dia, o acampamento em Tulum.
NOTAS DO REPÓRTER – 3º DIA - Se comparado aos dois primeiros dias de competição, o terceiro dia exigiu muito mais cuidados dos atletas em relação a perda de líquidos e o risco de desidratação devido ao intenso calor e o sol forte, típicos do verão mexicano. A etapa do caiaque no mar foi a mais difícil do dia, porque, além dos obstáculos naturais de uma prova deste tipo em pleno mar aberto, eles deveriam se orientar por bússola e mapa, com o risco de se perderem. O terceiro dia também guardou belas surpresas para fotógrafos e cinegrafistas que cobriam o evento. Durante as provas, a maravilhosa paisagem do Caribe mexicano somada aos atletas competindo neste fanstático cenário, proporcionaram imagens completamente novas e inusitadas.No final do dia, a imagem de algumas equipes, principalmente aquelas que estavam nas últimas colocações, era de completo cansaço e desanânimo, decorrentes tanto do desgate físico quanto psicológico. Apesar disso, ninguém desistiu e no dia seguinte todos estavam prontos para enfrentar o último dia de competição.
4º DIA (Circuíto de 70km) – O quarto e último dia foi o mais espetacular de todos. O dia começou com a prova de vela. Cada equipe navegou 28km a bordo de um Hobbie Cat 14 ao longo da costa, passando por zonas de corais e pela zona arqueológica de Tulum, único vestigio preservado da cultura Maya na orla do mar do Caribe.
Encerrada a etapa da vela, as equipes seguiram por 8km um caminho de pedras e pequenas lagoas até iniciar a prova de natação, snorkel e imersão de 4 metros de profundidade num extraordinário cenário natural localizado no parque bio ecológico Xel-Ha. Em Maya, Xel-Ha significa "a mescla do mar do Caribe com a dos rios subterraneos", da Península de Yucatán, cujo fenómeno natural neste local propicia uma formação natural única, onde milhares de espécies submarinas se encontram.
E foi exatamente em Xel-Ha, num belíssimo sábado de sol, que os atletas realizaram as últimas provas da competição, até alcançarem a meta e serem aplaudidos pelas milhares de pessoas que se aglomeravam para assistir o final da prova. Depois de quatro longos dias, todas as equipes chegaram até a meta final e puderam respirar aliviadas, com o sentimento de missão cumprida!
NOTAS DO REPÓRTER – 4º DIA - A cor azul turquesa do mar do Caribe, misturada ao colorido das velas dos 19 veleiros abençoaram a largada do último dia. A imprensa espalhada em pequenos barcos, seguia a frota de veleiros para conseguir os melhores ângulos e registrar as belas paisagens. Chegando em Xel-Ha era impossível não ficar maravilhado com a paisagem e empolgado em fotografar os últimos momentos da competição que acontecia naquele belo cenário do parque.O sol e o calor mais uma vez não deram moleza para os atletas, porém, desta vez as provas ficaram mais "refrescantes", já que a maior parte do dia ficou reservada para atividades na água. A linha de chegada aglomerou familiares, técnicos, curiosos, jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas para presenciarem de perto o final do competição. Muitos familiares dos atletas que chegavam quase choravam quando os viam. Durante a competição, em todos os momentos, os atletas foram exigidos ao máximo e, sem dúvida, a chegada foi muito emocionante, porque após os quatro dias difíceis, todas as equipes completaram as etapas, independente da posição de classificação.
RESULTADOS
Encerrada a competição todos se dirigiram para o hotel, onde finalmente puderam tomar um banho "de verdade", depois de quatro dias. Na mesma noite, aconteceu uma grande festa no parque X-Caret onde, depois de um animado jantar, foi anunciado o grande campeão do III Campeonato Mexicano de Esportes Extremos – Reto Riviera Maya.
O vencedor foi a equipe Red Bull, da Espanha, com o tempo global acumulado de 30 horas 01 minuto e 9 segundos, seguido pela equipe Nokia, da Finlândia, com o tempo de 31 horas 46 minutos e 2 segundos. O terceiro, quarto e quinto lugar foram conquistados, respectivamente, pelas equipes Team Argentina (Argentina), Asi Aqua Gym (México) e México Vivo (México).
A organização ofereceu um prêmio de US$35 mil dólares entre os cinco primeiros colocados, sendo US$ 15 mil para os campeões, US$ 8 mil para o 2º lugar, US$ 6 mil para o 3º lugar, US$ 4 mil para o 4º lugar e US$ 2 mil para o 5º lugar. Abaixo, segue uma tabela com o resultado oficial do III Campeonato Mexicano de Esportes Extremos – Reto Riviera Maia.
ESTRUTURA DO EVENTO
Para uma competição tão difícil e arriscada como esta, a organização do evento é extremamente rigorosa em todos os aspectos. As equipes que foram aceitas para a competição eram compostas, obrigatoriamente, por atletas maiores de 18 anos, com participação comprovada em, no mínimo, duas competições deste tipo reconhecida internacionamelmente, e com experiência nas modalidades de esportes que seriam disputadas. Cada uma das 19 equipes eram formadas por três homens e uma mulher ou então, três mulheres e um homem.
Organizada pela Promedex (Promotora Mexicana de Deporte Extremo), o evento contou com o trabalho de mais de 250 pessoas, coordenado pela empresa Expediciones Tropicales, que deu todo suporte técnico e logístico durante a competição ao longo de 42 postos de controle (PC), onde as equipes registravam seus tempos antes prosseguir numa nova rota. Além de todo esse pessoal, o evento contou com a presença de mais de 60 profissionais da imprensa de diferentes veículos de comunicação de quatro países (Argentina, Brasil, Japão e México), que também enfrentaram longas caminhadas, muitos desafios e aventuras na selva e no litoral, para registrar, da melhor maneira possível, toda competição.
Agradecimentos especiais ao Conselho de Promocão Turística do México, Fidelcomiso para la Promoción Turística de la Riviera Maya, Promedex, Aeromexico e Hotel Riviera del Sol que viabilizaram esta viagem.
SERVIÇOS
Promedex (Promotora Mexicana de Deporte Extremo)
Ave. Hidalgo 5004 – Locales 4 y 5 - Col. Sierra Morena - Tampico, Tam - México
CEP: 89210 - Tel: (1) 217-4360 - promedex@grupomex.com.mx
- www.camdex.com.mx
Conselho de Promocão Turísca do México – Dirección de Mercadotecnia para Argentina Y Brasil
Av. Santa Fe, 920 - Buenos Aires – Argentina
CEP: 1059ABQ – Tel: (54 + 11) 4393-7070
argentina@visitmexico.com; inmexico@ssdnet.com.ar
Fidelcomiso para la Promoción Turística de la Riviera Maya
Plaza Antígua local * S 9 * - Playa del Carmen, Quintana Roo – México
CEP: 77710 – Tel: (987) 300 03 / (987) 328 50
gtepromo@rivieramaya.com - www.rivieramaya.com
Aeromexico
Avenida Paulista, 777 – Conjunto 131 – São Paulo – SP
Tel: (11) 253-3888 - www.aeromexico.com
Hotel Riviera del Sol
1 era. Av. Nte – Playa del Carmen, Quintana Roo – México
Tel: (987) 331 04 – stay@rivieradelsol.com - www.rivieradelsol.com