Outra visão

 

 

DESTINO PARA EVENTOS - RECIFE (PE)

 

Lindo Nordeste

A alegre capital pernambucana, com seus rios cortando a cidade, oferece cenários pouco comuns no Brasil,

além de muitas opções para eventos, cultura e lazer

Texto: Paulo Cunha

 

Matéria publicada na Revista dos Eventos - Edição 18 - Maio/2002

 

Se rio falasse, poderia contar: afinal, é o personagem mais antigo na história da paisagem local. O Capibaribe assistiu a vila virar cidade, a cidade virar capital, e, ao se encontrar com o rio Beberibe, ganhou a paisagem, ajudando a cidade a se tornar a "Veneza brasileira". Só isso valeria a Recife uma ótima posição em qualquer campeonato, se existisse, de cartões-postais. Mas, a essa bela particularidade, se junta outra: a do mar. Ao redor da cidade, praias se exibem caprichosamente, com suas águas em tons que o sol, sempre presente, teima em decifrar.


Recife é assim: por dentro, cortada por rios, por fora embalada por mar.


Mas, incrível, isso não basta para apresentar de forma completa a capital de Pernambuco, este Estado premiado pela natureza e personalidade do seu povo - que tem história de luta e resistência e é famoso por não se calar diante dos desafios, seja falando ou cantando. Sim, ali está um dos mais importantes pólos de repentistas e cantadores, representantes da poética popular do Nordeste. Famosas também são suas xilogravuras, rústicas gravações em preto e branco de cenas e personagens da história e da sociedade locais. E nem falamos sobre mestre Vitalino, o homem simples que fez o barro tomar formas tão especiais e atravessou fronteiras para a fama internacional.


Rico no litoral, rico no sertão, Pernambuco tem história para contar, da invasão holandesa a Lampião, só para começar. E sempre surpreendendo na paisagem. Não sem razão, para quem está na capital, o pós-tour é quase obrigatório: Olinda, patrimônio histórico; Fernando de Noronha, patrimônio da humanidade. Somem-se a essas, as tradicionais festas populares: o Ano Novo na badalada praia de Boa Viagem, o típico Carnaval de rua e a festa de São João, em Caruaru, cidade da famosa feira que apresentou ao mundo o mestre Vitalino.


O melhor ponto de partida para conhecer estas e outras atrações pernambucanas é a capital, Recife, que, em sua região metropolitana, agrega os municípios de Olinda, Paulista e Jaboatão dos Guararapes. Juntas, as cidades oferecem mais de 20 mil leitos em rede hoteleira de alto nível, com ótimas opções em espaços para eventos, um moderno centro de conferências e o Aeroporto Internacional de Recife/Guararapes, reformado e ampliado.

Crescendo com o turismo de eventos

 

Não estranhe o movimento: ali há turismo o ano todo. De alguns anos para cá, o viajante que antes desembarcava em Recife nas temporadas à procura de praias e festas típicas, é agora figura carimbada na região. Cada vez mais, retorna ao Estado para participar de congressos, feiras, seminários, simpósios, workshops e, acima de tudo, fazer e multiplicar negócios. Quem explica o motivo de tal mudança é o presidente da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), Frederico Loyo: "A posição geográfica privilegiada no Nordeste, a infra-estrutura extremamente adequada aos negócios, um moderno centro de conferências, o segundo pólo médico mais importante do Brasil e grandes universidades, acabam por atrair executivos que participam de feiras e eventos no Estado", diz Loyo.


E como para o turismo de eventos não existe temporada, a cidade recebe, e diga-se de passagem, muito bem, esses turistas de ano todo.


Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes são os municípios que retratam bem esta nova dinâmica consolidando-se como pólos de eventos do Nordeste, como bem mostram os números dos últimos dois anos: 2,6 milhões de visitantes em 2000 e 3,2 milhões em 2001, um crescimento de 23%, em apenas um ano. No mesmo período a taxa média de ocupação nos hotéis chegou a mais de 70% em todo o Estado, contra 62% e 64% nos dois anos anteriores.

Trabalhando para captar eventos

 

De acordo com pesquisas realizadas pela Comissão de Turismo Integrado do Nordeste (CTI/NE), o turismo de eventos é responsável por cerca de 60% do fluxo de visitantes para o Recife e região metropolitana. O dado é motivo de sobra para o Recife Convention & Visitors Bureaux (RC&VB) apostar suas fichas no segmento. Trabalhando em ritmo acelerado para trazer novos eventos para a cidade, o RC&VB tem pouco mais de um ano de existência, mas já conseguiu captar três eventos de grande porte para 2003: Congresso Latino-Americano de Hipertensão, 18o Encontro Nacional dos Agentes Portuários e a versão Nordeste da Fispal. Além dos eventos já oficializados, o RC&VB está com mais cinco em fase de finalização e outros onze em adiantadas negociações. Já no final deste ano, Recife será a sede do Encontro Nacional de Estudantes de Hotelaria e Turismo.


Recentemente, o RC&VB estabeleceu uma parceria com a Faculdade Integrada do Recife (FIR) para o desenvolvimento de uma pesquisa que irá medir o impacto econômico do setor de eventos na região. Com base no estudo, o convention bureau pretende traçar um perfil mais detalhado deste turista e, assim, desenvolver ações específicas para cada segmento empresarial.

Novos caminhos para o turismo

 

Desde o início de julho deste ano, a cidade do Recife tem, pela primeira vez, um plano diretor de turismo. Um documento contendo 28 propostas e diretrizes para o desenvolvimento das potencialidades turísticas da capital pernambucana foi elaborado pelo Instituto de Administração e Tecnologia e faz parte do projeto orçamentário da Secretaria Municipal de Turismo.


Entre os projetos, estão a criação de uma nova marca que simbolize o turismo local, a implantação do sistema de sinalização urbana e turística, o tratamento paisagístico das vias de acesso à cidade, o incentivo à prática de esportes e a preparação adequada da Bacia do Pina, ilha formada por um braço do Rio Capibaribe e próxima ao aeroporto, que deverá se tornar área para atividades náuticas e passeios ecológicos.

Nossa Veneza

 

Recife é cortada por dois rios, o Beberibe e o Capibaribe. Essa fartura geográfica forçou a cidade a crescer em torno das margens e a criar caminhos através das pontes. São 39, muitas construídas na época da invasão holandesa. A mais famosa é a Maurício de Nassau, de 1643, que liga os bairros do Recife antigo e Santo Antônio. A sugestão é passear a pé por elas, cruzando os canais, para viajar no tempo e na rica história da cidade, preservada nas igrejas, museus, praças, edifícios, ruas e bibliotecas. A arquitetura barroca, que marca o período Brasil-Colônia, é rica nas igrejas, fortes e conventos e em dezenas de casarios. A Casa da Cultura, por exemplo, foi um antigo presídio. Hoje, abriga um dos maiores e mais tradicionais centros de artesanato da cidade. Outras provas da preservação das construções antigas são o Forte das Cinco Pontas e o Forte Brum, que atualmente abriga o Museu Militar.


O nome Recife deriva de uma enorme muralha natural de rochedos de coral ou arrecifes que se estende paralelamente à costa.


São muitos os passeios obrigatórios para quem visita Recife. A Oficina de Cerâmica de Francisco Brennand está entre eles. No local estão expostas as obras e esculturas do artista, considerado um dos principais expoentes da arte pernambucana e pode ser uma alternativa de espaço para eventos. Outro ponto de parada é a Praça da República, rodeada por importantes edifícios da cidade, como o Palácio das Princesas, hoje sede do Governo do Estado, o Teatro Santa Isabel e o Palácio da Justiça. Não longe dali estão os bairros de Recife Antigo e Santo Antônio, que abrigam a praça do Marco Zero, a Torre Malakoff, o Pátio de São Pedro, o Mercado São José, a rua Bom Jesus, a Sinagoga Kahal Zur Israel e a Fundação Gilberto Freyre, que possui uma biblioteca com todo o acervo do consagrado sociólogo e escritor brasileiro.

Os encantos de Olinda

 

Tombada em 1982 pela Unesco e declarada Patrimônio Histórico e Cultural de Humanidade, a colorida Olinda fica a apenas 7 km do centro do Recife. Antes de começar a desvendar a cidade, deixe a máquina fotográfica de prontidão, compre uma garrafinha de água e se prepare para uma caminhada por suas ladeiras e praças, conhecendo casarões, igrejas, mosteiros, museus e outras tantas particularidades que fazem da cidade um lugar tão especial.


O passeio pode começar pela Praça do Carmo, onde está localizada a igreja que deu origem ao seu nome. Depois, é só seguir o caminho do encantamento que nos leva ao Convento de São Francisco (de 1585), ao prédio do Seminário de Olinda e à Igreja da Sé (a primeira paróquia do Nordeste edificada em 1535), localizada na parte alta da cidade.


A Igreja da Sé é parada obrigatória para quem quer conhecer beleza do visual, conferir o trabalho dos artistas de rua e, é claro, tomar uma água-de-coco para repor as energias. Depois é só subir mais algumas ladeiras, caminhando pela rua Bispo Coutinho, e passar pelo Museu de Arte Sacra, pela Igreja de Nossa Senhora da Conceição, pelo Observatório Astronômico, e a Igreja de Nossa Senhora do Bonfim. A cada passo, vamos descobrindo ruelas e cantinhos inesquecíveis da parte mais alta da cidade. Mas, como diz o ditado popular, "para baixo todo o santo ajuda" vamos descer as ladeiras. O roteiro ainda é longo e recheado de muitas paradas. Saindo da Igreja da Sé, siga em direção à tradicional Ladeira da Sé, mas antes pare, olhe para a frente e aprecie o visual do alto da Ladeira. Ao começar a caminhar, preste atenção para não escorregar nos antigos paralelepípedos que forram o chão da íngreme descida.


No final da Ladeira, algumas paradas obrigatórias: a Igreja de São Pedro, o Palácio dos Governadores, a Igreja de São Sebastião (em estilo colonial português e construída em 1686), o Mercado Popular, a Igreja e Mosteiro de São Bento (toda em madeira e ouro, e edificada no século XVI). Ao longo desse caminho existem lugares interessantes para conhecer, como as galerias de arte, a Pousada dos Quatro Cantos e as pequenas lojas com os mais variados tipos de artesanato.

De norte a sul, um litoral repleto de coqueiros e belas praias - Depois de muita caminhada por lugares históricos e culturais de Recife e Olinda, finalmente chegou a hora de se refrescar nas águas do litoral pernambucano. Nos quase 200 km de orla marítima, há opções de praias para todos os gostos.


Em Recife, estão as mais movimentadas. A mais famosa é a de Boa Viagem que, ao longo de 7 km de extensão exibe suas águas tranqüilas, que formam piscinas naturais, protegidas pelos famosos arrecifes que deram nome à cidade. Edifícios luxuosos, bares, restaurantes, hotéis, áreas de lazer e muitos quiosques movimentam o imenso calçadão. Bem próximo, estão as praias de Piedade, Candeias e Barra da Jangada, na vizinha cidade de Jaboatão dos Guararapes.

Mares do sul

 

Porto de Galinhas é quase unanimidade quando se fala das praias de Pernambuco. Conhecida como uma das maravilhas do litoral do Nordeste, é das mais badaladas e visitadas por turistas do mundo todo. Tornou-se o mais importante pólo turístico do litoral sul do Estado e está localizada no município de Ipojuca, a 60 km de Recife.


Ali, em meio a um cenário paradisíaco, águas cristalinas e mornas, junto à areia quase branca e repleta de coqueiros, são protegidas por um longo cordão de arrecifes, que formam as piscinas naturais, típicas do litoral pernambucano. Já a praia de Muro Alto, também em Ipojuca, é ideal para a prática de esportes náuticos. Mais ao sul, localizam-se as praias dos Carneiros, Tamandaré e São José da Coroa Grande, também paradas obrigatórias.


Ainda no litoral sul, se destaca o município de Cabo de Santo Agostinho (40 km do Recife), cercado pela Mata Atlântica e por nove praias com águas sempre mornas e belíssimas paisagens. As praias de Paiva, Itapuama, Xaréu, Enseada dos Corais, Gaibu, Calhetas, Santo Agostinho, Paraíso e Suape formam um maravilhoso cenário.


Exatamente pela riqueza de suas paisagens, o litoral sul de Pernambuco caminha em ritmo acelerado para se transformar no pólo de beach resorts fora da capital. Atualmente, cinco grandes grupos empresariais locais e internacionais já investiram R$ 83 milhões em novos empreendimentos hoteleiros. Depois da chegada dos resorts Blue Tree Park Cabo de Santo Agostinho, Summerville, Nannai e Marupiara, os empreendedores disputam palmo a palmo as áreas das badaladas praias de Muro Alto e Porto de Galinhas.


Alguns dos resorts, como o Blue Tree Park e o Summerville, estão se destacando com seus excelentes espaços para a realização eventos. Cada vez mais, executivos ali desembarcam para participar de encontros profissionais e aproveitar o sol, as praias e as belezas da região.

Os mares do norte - Seguindo em direção ao litoral norte do Estado, chegamos em Maria Farinha, no município de Paulista, com praia de mar calmo e onde se localiza o maior centro de esportes náuticos e de lazer pernambucano. É ali que está também o parque aquático Veneza Water Park. Mais ao norte, a 50 km do Recife, a Ilha de Itamaracá é outro tesouro turístico de Pernambuco - ali estão as praias de Pontal-da-Ilha, Sossego e o Forte Orange, construído pelos holandeses em 1631. O forte fica em frente à ilha Coroa do Avião, um banco de areia utilizado como base de pesquisa de aves migratórias.

É hora de dançar, pular e cantar no Carnaval - Além das riquezas naturais e históricas, Pernambuco tem um dos mais animados carnavais do planeta. Uma autêntica festa popular, o Carnaval pernambucano é embalado por um ritmo local, o frevo. A alegria é contagiante e se espalha pelas ladeiras de Olinda, que são percorridas por seus mundialmente famosos bonecos gigantes, e pelo bloco Galo da Madrugada que anima, com a "frevura" , cerca de 2 milhões de foliões que cantam, dançam e esbanjam alegria.


Esse é também um período importante para o desenvolvimento da economia local. Os números são impressionantes: somente neste ano, 455 mil turistas desembarcaram no Estado e movimentaram R$ 162 milhões, gerando 35 mil empregos diretos e quase 100 mil ocupações temporárias.

Ampliação do aeroporto

 

Para receber tanta gente, o Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes - Gilberto Freyre, está se preparando: em dezembro deste ano, um novo terminal de passageiros será inaugurado: serão 45 mil m² de área para atender 5 milhões de passageiros/ano. Com a ampliação, o aeroporto terá três pavimentos, 11 pontes de acesso às aeronaves, um edifício garagem com capacidade para 2.080 veículos e estará interligado, por esteiras rolantes, a uma estação do metrô da cidade.


Atualmente, o aeroporto recebe 90 vôos que desembarcam mais de 5 mil passageiros/dia. Já é o oitavo aeroporto brasileiro em movimentação.



 

 

 

 

Copyright© Outra Visão - Todos os Direitos Reservados - Política de Privacidade - Notas Legais