Com notas suaves a orquestra afina seus instrumentos: lustrando as bandejas, os garçons se preparam para começar a servir. Com a máquina em punho, o fotógrafo faz os primeiros clicks. Atentos aos mínimos detalhes, organizadores de eventos verificam se tudo está pronto. Correndo sem parar, manobristas estacionam os carros. Sorrindo, as recepcionistas dão boas-vindas aos convidados. Assim começa mais um dos quase 90 mil eventos que acontecem em média, por ano, na cidade de São Paulo.
Eles são de todos os tipos, tamanhos, formatos e para todos os públicos. São feiras, congressos, convenções, simpósios, workshops, seminários, treinamentos, lançamentos, inaugurações, shows, concertos, espetáculos, jogos esportivos, etc., que fazem da capital paulista o principal pólo de eventos do país. Para se ter uma idéia, a média é de um evento acontecendo a cada nove minutos na capital paulista.
A cidade sedia eventos importantes, famosos, badalados e concorridos, como a Bienal Internacional de São Paulo, Festival Internacional de Cinema, Fórmula 1, Bienal do Livro, Fenasoft, Salão do Automóvel, São Paulo Fashion Week, entre os muitos outros que “recheiam” seu intenso calendário.
Virtudes da cidade preparada para eventos
São tantos os números que dimensionam esta cidade no seu potencial e infra-estrutura para a realização de eventos, que seduzem tanto os organizadores e promotores de eventos, como milhares de participantes e empresas que fazem questão de marcar presença em eventos ligados aos seus respectivos segmentos. Imagine que atualmente São Paulo dispõe de um total de 330 mil m² de espaços para a realização de feiras e exposições Pode-se, tranqüilamente, acrescentar 500 mil m² de outros tipos de espaços em hotéis, auditórios, buffets, casas de shows, e muito mais. Se você acha isso suficiente ou muito além do necessário, engana-se, porque o número de locais para realização de eventos, projetos de expansão, empresas organizadoras e promotoras de eventos tendem a se multiplicar nos próximos dez anos.
“Com a oferta de 330 mil m² por dia em São Paulo, sem contar os hotéis, acredito que deveremos atingir em três anos os 300 mil m²”(acho que está errado), prevê Armando Arruda Pereira Campos Mello, diretor executivo da União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe). “De 2 milhões de m² em 2002, os organizadores reservaram para 2003 cerca de 2,4 milhões em pavilhões. Poderemos ter um incremento de 20% de área. Tudo isso, se confirmado em vendas, representa que estaremos aumentando, mais uma vez, o número de expositores, envolvendo também o mercado de montagem, locação de equipamentos, etc. Todo setor vai crescer exponencialmente”, avalia Campos Mello.
São Paulo é assim. Surpreendentemente grande em sua dimensão demográfica, contingente populacional e trânsito caótico, como outras grandes metrópoles do mundo, mas a capital paulista é altamente sedutora para viabilização, execução e conquista de sucesso no setor de eventos. Conhecida nacionalmente como sinônimo de trabalho, transformou-se também em sinônimo de capital nacional dos eventos por tudo o que realiza e representa para o segmento no país.
“Quando se quer fazer um evento buscando maximizá-lo num local onde exista um número grande de compradores, São Paulo, por ser o coração econômico do país, torna-se naturalmente o melhor destino. A cidade tem a melhor infra-estrutura para eventos no Brasil, e o maior número de hotéis”, destaca Roberto Gheler, presidente do São Paulo Convention & Visitors Bureaux. “Ainda temos uma maravilhosa vida cultural, de entretenimento e noturna, uma das melhores gastronomias do mundo e um comércio em que é possível encontrar absolutamente tudo”, completa entusiasmado.
Promoção e marketing em Sampa
Com um universo diversificado de culturas, etnias, gostos, bolsos e desejos, São Paulo mostra-se também muito atraente para o mercado de marketing promocional. Campanhas de todos os tipos, que muitas vezes exploram brilhantemente os cenários tradicionais e inusitados de Sampa, atraem cada vez mais ações promocionais e, conseqüentemente, eventos.
“São Paulo é um mercado maravilhoso para eventos de produtos”, diz Paulo Santos, vice-presidente de eventos da Associação de Marketing Promocional (Ampro). “A cidade reúne um grupo muito grande de formadores de opinião que a tornam extremamente interessante. Aqui você consegue achar o público que procura e isso é ótimo para o marketing promocional”, conclui.
Por quantas vezes já vimos na televisão os sinuosos traços do edifício Copan, a arquitetura do Masp com seus 74 metros de vão livre, a Avenida Paulista iluminada por refletores de edifícios e automóveis num vai-e-vem incessante. Na promoção e marketing, as várias paisagens urbanas de São Paulo, melancólicas, modernas, sofisticadas e simples que sempre proporcionam idéias criativas, atraem, cada vez mais, visitantes nacionais e internacionais.
Lançado no final do ano passado, o Plano de Marketing do Turismo da Cidade de São Paulo (veja na Revista dos Eventos edição 21) é uma nova ação de promoção para vender o destino São Paulo para o mundo e atrair ainda mais turistas. Desenvolvido pela consultoria espanhola Marketing Systems que, entre outros importantes trabalhos, realizou o projeto de promoção, design e imagem da candidatura de Barcelona para as Olimpíadas de 92, em umas das etapas de elaboração do plano realizou entrevistas com turistas após o check-out nos hotéis e com internautas que responderam a uma pesquisa no site (www.visitesaopaulo.com), visava identificar pontos positivos e negativos de acordo com a percepção das pessoas sobre a cidade. Em outra etapa avançada, foi criada pela agência McCann-Erickson a campanha de lançamento da nova logotipia e o slogan São Paulo, tudo acontecendo agora. “Vamos criar um mês para São Paulo, ou um período do ano, com atrativos para que o mundo tenha vontade de visitar a cidade. Um mês em que tudo funcione 24 horas e com um atrativo especial”, ressalta Glen Martins, diretor de criação da McCann-Erickson.
Usando o SP, as duas letras da sigla de São Paulo, e palavras-conceito que a simbolizam, como hospitalidade, indispensável, espetacular, espirituosa, inesperada, a campanha também se vale da característica caleidoscópica da cidade, sinônimo da diversidade por ela oferecida. “A logomarca estará em todas as promoções da cidade, fará parte do seu cotidiano” enfatiza Josep Chias, consultor da Marketing Systems.
Para Nelson Baeta, presidente da ABIH-SP e da Associação Paulista Viva, “São Paulo tem tudo o que um turista possa querer numa grande cidade do mundo. O fato é que a cidade em si tem muitos atrativos, o que precisamos é mostrar tudo isso para o turista. Evidentemente que, para quem quer praia, você não vai conseguir vender SP, mas quem procura cultura, lazer, eventos, gastronomia, tudo está aqui. Temos de valorizar esses pontos”.
Caracterizar São Paulo como a grande cidade do Brasil, rejuvenescida, com um estilo de vida único no país, com rica oferta cultural, de lazer, compras e alta gastronomia são os objetivos do plano. Explorar essas qualidades no novo marketing fará com que São Paulo amplie suas ambições turísticas, unindo lazer ao já consagrado turismo de negócios.
Encontrando soluções
Parafraseando um paulistano amigo que diz “São Paulo não tem problemas, tem soluções!”, facilita chegar-se à conclusão de porque essa enorme cidade, de clima cosmopolita e ritmo incessante, consegue alavancar tantos eventos.
Características como a de ser uma cidade que não dorme e absolutamente não pára, muitas vezes são as que fazem a diferença na realização de um evento. Que o digam os organizadores e promotores. Os famosos probleminhas e imprevistos de última hora, que podem surgir em qualquer evento, certamente terão uma solução eficiente em São Paulo, mesmo que isso tenha de ser resolvido em plena madrugada. É que sabendo onde procurar, tudo se acha por aqui, independentemente do dia e da hora.
Mas o diferente em São Paulo é que, mesmo com tudo solucionado, eventos encerrados e bons negócios fechados, ainda é possível aproveitar a sedutora noite paulistana, a gastronomia da cidade em milhares de bares e restaurantes a qualquer hora. Se a vontade for uma macarronada tipicamente italiana ou um genuíno show de jazz, opções para realizar tais desejos não faltam.
Projetos, ampliações e novos espaços para eventos
Para o primeiro trimestre de 2003, já se prevê a construção de um novo auditório, no Parque do Ibirapuera, por parte da administração municipal – projeto que faz parte do programa de comemorações dos 450 anos de fundação da cidade, em 2004. O auditório, que abrigará eventos e shows, se baseia em projeto original de Oscar Niemeyer para o parque e terá 7.500 m², 950 lugares e um palco que poderá ser utilizado tanto na parte interna como na parte externa, ao ar livre, graças a uma parede removível instalada no seu fundo. A obra custará cerca de 12 milhões e contará com o patrocínio da empresa italiana de telefonia móvel, TIM.
Com as reformas que já vêm sendo realizadas nos centros de convenções e exposições existentes (veja na Revista dos Eventos edição 17), e a construção de novos espaços, espera-se um aumento de até 30% de área em dezembro de 2003. Um bom exemplo é o Grupo Center Norte, proprietário do Expo Center Norte (ECN), que recentemente inaugurou o sistema completo de ar-condicionado em seus seis pavilhões, tornando-se o maior local refrigerado de exposições da América Latina. Desde que foi inaugurado em 1993, o ECN só cresceu, passando dos 35 mil m² iniciais para os atuais 60 mil m². O número de pavilhões subiu de três para seis, e seus auditórios, que eram sete, já passaram para nove. Com os novos espaços, o ECN passa a ter capacidade total de 2.850 lugares em auditório. Mas os investimentos não pararam por aí. Ainda expandindo seus negócios, o grupo trabalha agora na ampliação do centro de exposições e convenções da Cidade Center Norte, que deverá estar concretizada em 2005. O grupo já adquiriu duas áreas, num total de 155 mil m², anexas aos 420 mil m² que já possui na marginal do Tietê, para a construção de mais um pavilhão de 40 mil m² e uma arena multiuso, com capacidade para 8 mil pessoas em auditório adaptado aos mais diversos tipos de eventos, inclusive esportivos e artísticos.
“São Paulo precisa urgentemente de um auditório para 8 mil pessoas. Isso ainda está em projeto, mas a cidade precisa muito”, enfatiza o presidente da Abeoc-SP, Alexandre Leite Werfel. “O maior auditório que temos está no Anhembi e tem capacidade para 3,5 mil pessoas. Um grande auditório possibilitaria recebermos eventos que hoje são direcionados para Buenos Aires e Rio de Janeiro, cidades mais bem preparadas”, conclui Werfel.
Próximo ao ECN, o tradicional Complexo do Anhembi, composto pelo Pavilhão de Exposições, Palácio das Convenções e Sambódromo, está passando por reformas desde 2001. Atualmente com 67,6 mil m², o Anhembi terá acréscimo de mais de 30 mil m² na área expositiva com o novo Centro de Feiras e Eventos, previsto para estar pronto até 2004. Algumas melhorias já estão em funcionamento, como a reforma do sistema de ar-condicionado, melhorias nas quatro salas e cinco auditórios, e a reforma do Grande Auditório e do Auditório Elis Regina. Paralelamente está sendo construído um hotel com 780 apartamentos, da bandeira Holiday Inn, anexo ao Anhembi, que irá acrescentar muito à oferta de hospedagem da região. O hotel, cuja inauguração está programada para o início do ano que vem, será um dos maiores da bandeira do grupo Six Continents.
Outros locais, como o Expo Mart, Transamérica Expo Center, Centro de Convenções Rebouças, ITM Expo, Frei Caneca Shopping & Convention Center, Centro de Exposições Imigrantes, Milenium Centro de Convenções, entre outros, também têm realizado ampliações e constantes melhorias em seus espaços.
Já na área de convenções, a expectativa é também de crescimento constante e rápido, se somarmos os novos centros já instalados na rede hoteleira. Outras redes também passaram a investir pesado no setor, como a Hotelaria Accor Brasil, a Atlantica Hotels, a Blue Tree Hotels, o grupo Sol Meliá, Marriott, Hyatt, Hilton e Six Continents. Todas têm inaugurado empreendimentos de médio e grande portes, voltados especialmente para o mercado executivo, contemplando muito a indústria de eventos.